Cientistas criam ‘segunda pele’ capaz de suavizar rugas

  • 09 maio 2016
  • Paulo Lima

RIO — Imagine um adesivo que pode ser aplicado à pele e, em segundos, suavizar as linhas de expressão que surgem com a idade. Além disso, ele pode servir para o tratamento acnes, eczemas e outras dermatites ou fornecer proteção de longa duração a raios UV. É isso o que promete um novo material desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia de Massachussetts (MIT, na sigla em inglês), em parceria com a Olivo Labs, que em testes iniciais com humanos foi capaz de esconder bolsas nos olhos e melhorar a hidratação da pele, como se fosse uma “segunda pele”.

— É uma camada invisível que pode fornecer uma proteção, melhorias cosméticas e tem potencial para entregar uma droga localmente na área que está sendo tratada — disse Daniel Anderson, professor associado do MIT. — Essas três características juntas podem tornar (o material) ideal para uso em humanos.

Trata-se de um polímero a base de silicone que pode ser aplicado à pele como uma cobertura fina e imperceptível que reproduz as propriedades mecânicas e elásticas de uma pele jovem e saudável, segundo artigo publicado nesta segunda-feira na revista “Nature”. A “segunda pele” é composta por químicos amplamente utilizados e classificados como seguros pela Food and Drug Administration, órgão americano responsável pela liberação de medicamentos. Em testes iniciais com 170 indivíduos, nenhum apresentou irritação ou reações alérgicas.

Com o envelhecimento, a pele se torna menos firme e elástica, problemas que podem ser exacerbados pela exposição ao sol. Isso reduz a capacidade da pele de cumprir a sua função de proteger o organismo contra temperaturas extremas, toxinas, micro-organismos, radiação e ferimentos. os estudos para a criação de uma cobertura protetora que pudesse restaurar as propriedades da pele saudável começaram há dez anos.

— Nós começamos pensando como poderíamos controlar essas propriedades da pele com polímeros que conferissem efeitos benéficos — disse Anderson. — Nós também queríamos que fosse invisível e confortável.

Os pesquisadores construíram uma biblioteca com mais de cem polímeros possíveis, sendo que todos possuíam uma estrutura química conhecida como siloxano — cadeia que alterna átomos de silicone e oxigênio. Esses materiais foram testados na busca dos que melhor replicassem a aparência, força e elasticidade da pele saudável. O melhor deles têm propriedades elásticas muito similares à da pele. Em testes em laboratório, ele retornou ao estado original após ser esticado mais de 250%, e a pele natural pode ser esticada até 180%.

— Criar um material que se comporta como a pele é muito difícil — disse Barbara Gilchrest, dermatologista no MIT e coautora do estudo. — Muitas pessoas tentaram fazer isso e os materiais que eram disponíveis não tinham as propriedades de serem flexibilidade e conforto para serem capazes de se adaptar ao movimento da pele e retornar ao seu formato original.

Os primeiros testes em humanos foram feitos para medir a segurança e eficácia. Os polímeros foram aplicados embaixo dos olhos para tratar as conhecidas bolsas ou sacos, formados pela saliência de gordura na pálpebra inferior. Quando o material foi aplicado, ele aplicou força de compressão que apertou a pele. O efeito durou 24 horas. Os exames também avaliaram a capacidade de prevenir a perda de água da pele, com resultados positivos em comparação a outros cosméticos disponíveis no mercado.

Fonte: O Globo

Leave a Comment

No Comments Yet